A anatomia de um cara liso e sarado

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Vou te contar uma coisa estranha. Esse cara, eu não sei quem é. Sem nome, sem Insta, nem mesmo um primeiro nome. O fotógrafo V. Valeodis intitulou sua série em maiúsculas — “NO COSTUME. NO CONTEX. JUST THE BODY” — e cumpriu sua promessa. Você clica na galeria, procura um rosto, encontra um peito. Procura um peito, encontra um pau. Procura um pau, encontra o contorno de uma coxa. Nem uma vez o cara sai da zona “abdômen / pacote / parte superior das pernas”. E é muito precisamente isso que torna a coisa obsessiva.

Porque sem rosto para escrutinar, sem olhar para interpretar, sem contexto para se tranquilizar, só te resta uma coisa a fazer: olhar o corpo. E o corpo, meus amigos, vale a pena ser visto. Estamos falando de músculo bem definido, desenhado como uma prancha anatômica do Renascimento. Não é músculo de marombeiro pesado, mais de natação ou ginástica. Trapézios arredondados, deltoides definidos, abdômen como coluna de pedra. E entre os dois, esse sulco profundo que desce em V perfeito desde as costelas até o púbis.

O que me impressiona: o cara é completamente liso. Nem um pelo no peito, nem um pelo na barriga, e mesmo acima do assunto em questão, terreno depilado impecável. Em outros teríamos dito “nossa, muito liso”. Nele, isso transforma o corpo em estátua. Você vê cada relevo muscular sem que nenhum pelo venha quebrar a linha. Valeodis joga justamente com isso: ele usa uma luz rasante que cava cada dobra, cada sombra, cada covinha. É fotografia que poderia ser projetada num museu e ninguém gritaria escândalo. É também fotografia que te faz largar o copo.

O outro detalhe que me agrada: o pau não está duro. Ele pende, simplesmente, em posição de repouso. Sem ereção forçada, sem pequena linha de fuga para esquentar a coisa. É calmo. É quase comportado. E é exatamente por isso que é mais erótico que dez vídeos OnlyFans seguidos — porque você sabe que esse pau, ali, em repouso, é capaz de outra coisa, e é sua imaginação que deve fazer o trabalho.

O erotismo do cara que não reconheceríamos no metrô

O conceito “no face” tem um lado prático também, sejamos honestos. O cara pôde se despir integralmente diante de um fotógrafo sabendo que amanhã de manhã, seu chefe, sua prima, seu tinder, ninguém faria a ligação. Então ele se soltou completamente. Você sente a serenidade na pose. Nenhuma tensão, nenhuma tentativa de “se mostrar sob seu melhor ângulo”. Apenas um cara que se sabe protegido pelo enquadramento, e que aproveita isso.

Veredicto pessoal: é meu crush conceitual do mês. E se por acaso, por chance, eu cruzasse com um cara na rua com abdômen assim e braços de ginasta, eu não o reconheceria, mas sentiria algo estranho passar. Você entende o que quero dizer. Obrigado V. Valeodis. Para repetir.

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