Mountain: um dorso peludo e uma bunda que se oferece, Anthony Rom não mentiu sobre o título

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Quando Anthony Rom chama sua série de Mountain, você pensa que vai ter uma paisagem no fundo. Tipo Patagônia, picos nevados, cara pelado na frente de um lago glacial para a metáfora da solidão. Você abre a galeria, e aí, surpresa: a montanha em questão está nas costas do modelo.

Porque o cara é peludo como um urso adulto saindo da hibernação. E eu peso minhas palavras. Não é aquela penugem estilosa do coroa que anda de bike. Não é a pilosidade brasileira que celebramos semana passada. Não, aqui estamos falando de pelagem de verdade. Um tapete de pelos densos, escuros, que começa na nuca, cobre as omoplatas, desce subindo levemente na lombar, mergulha depois na bunda e continua nas coxas sem nunca parar. É um cara, mas é também quase uma estação inteira.

A foto que me impressionou foi tirada do pé da cama. O cara está de quatro, de costas, cabeça virada para a janela. A bunda fica bem no centro do quadro, bem desenhada, e a luz vem da esquerda para destacar cada mecha de pelo. Você vê o cuzinho se abrir levemente no fundo da rachinha, vê as bolas pendendo entre as coxas, vê o pau aparecendo para frente. E vê também os pés descalços esticados no lençol preto, numa intimidade de fim de manhã que eu não saberia explicar racionalmente.

Bear light, mas macho de verdade

O que torna esta série diferente dos shoots “bear” que vemos normalmente é que o cara não tem um físico grande. Sem barriga, sem cintura desproporcional. É um otter no sentido mais puro do termo — silhueta bem definida, massa muscular correta mas não hipertrofiada, e essa pelagem integral que muda tudo. Tem algo profundamente masculino nessa combinação: um corpo que se percebe leve, ágil, pronto para se mover, mas vestido de pelos como um cara que nunca encostou numa lâmina na vida. É raro, é precioso.

Anthony Rom também tem o bom gosto de não exagerar na encenação. Luz natural da janela, lençol escuro, parede de reboco branco, radiador antigo à direita. Parece um estúdio de artista parisiense ocupado por um cara que topou ficar pelado numa manhã de domingo em troca de um café e um croissant. A sobriedade do cenário deixa todo o espaço para o modelo, e para a pelagem que o cobre.

Vou ser honesto: se você é mais time “liso até o queixo”, esta série não é para você (e não te julgo, cada um tem sua escola). Mas se como eu você pira no cara que cheira pele quente e sabonete, o cara que dá vontade de colar no peito para passar a mão nas costas como se acaricia um golden retriever, então aí, meus amigos, você está servido.

Mountain by Anthony Rom está programado nos meus favoritos ao lado de uma boa playlist folk islandesa e um copo grande de água. Você pode agradecer o fotógrafo de passagem. E pode também começar a parar de depilar suas próprias costas, só para ver.

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