Vamos ser honestos por dois minutos. Quando Galhardo Martins postou esse ensaio no Insta, primeiro passei batido sem parar. Muitas tatuagens, muita meia-calça de renda, muito “conceito” para meu pequeno cérebro de terça à noite. Então voltei. E fiquei grudado lá por meia hora.
Guilherme Baldibia é um moreno brasileiro esguio, tatuado até os joelhos, que te olha direto nos olhos com um bigode fino, um cavanhaque mal desenhado e um brinco balançando. Nada de músculos exagerados, nada de bronzeado artificial, nada de rotina “30 min de flexão antes do ensaio”. Só um corpo de macho, real, magro, com a pele dourada do Sul e o que a natureza deu para ele. E o que ela deu, entre nós, é bem convincente.
O cara posa de joelhos numa cama branca, fundo de papel de parede tropical, com apenas uma meia-calça de renda branca. A outra perna nua. É esse detalhe que me fisgou na verdade — o desequilíbrio. Como se tivesse se vestido pela metade, se despido pela metade, e esquecido de terminar. Cruza os braços no peito, empina a bacia, e deixa o pau na vertical no meio do quadro. Sem pudor, sem tapa-sexo estratégico. É do tipo cru assumido, como a gente gosta quando atravessa o Atlântico.
O charme do cara que brinca com os códigos
O que me deixa na pilha nele é que brinca com os códigos sem caricaturar. A meia-calça de renda, o brinco, o lado meio queer, tudo isso é posto como uma evidência. Dá para sentir que ele não está fingindo ser provocante — ele é assim mesmo. Uma borboleta tatuada no baixo ventre, bem acima do assunto (e que aponta gentilmente para baixo, como uma sinalização rodoviária para o leitor), peitorais discretos, quadris estreitos, e uma mata natural embaixo do umbigo que ele teve o cuidado de deixar em paz. Obrigado a ele, sinceramente.
Galhardo Martins aproveita para transformar o quarto em jardim tropical pós-foda. Luz quente, lençóis amassados, papel de parede imitando a floresta brasileira. A gente se sente num hotel discreto de Copacabana, no andar errado, na hora errada — aquela em que seu caso de uma noite fica para o café da manhã e te olha sem se mexer enquanto você se lasca com a cafeteira.
Enfim, não é o cara que a gente imagina na capa de revista fitness. E é exatamente isso que o torna gostoso. Ele está mais próximo do seu vizinho tatuado que te cumprimenta de manhã na escada do que de um modelo Calvin Klein. O tipo de cara que você encontra no bar do bairro, que segura a porta com um sorriso torto, e que você se vira para olhar na rua porque sim, era isso mesmo que você acabou de ver.










