Marcelo Salgado faz parte desses caras que não se encaixam em nenhum padrão clássico de modelo — e é precisamente isso que o torna irresistível. Os quarenta anos assumidos, um rosto de traços mestiços que conta uma história, um bigode e cavanhaque sal e pimenta que desenham uma cara de daddy chileno acessível, e principalmente um corpo natural, peludo, nem muito musculoso nem muito magro, que respira autenticidade. Em um universo gay onde a norma continua sendo frequentemente o cara depilado de 25 anos com abdômen tanquinho, Marcelo propõe outra coisa. E isso é um alívio.
A série é bem simples: um apartamento, um armário de madeira clara, a luz do dia. Sem filtro, sem retoque visível, sem encenação sofisticada. Apenas Marcelo de cueca — AussieBum azul, AussieBum branca descida nos quadris, Palmers preta — depois completamente nu, encostado na parede, o olhar confiante voltado para a lente. Esse minimalismo funciona porque o modelo não precisa de mais nada: sua presença é suficiente.
O charme do daddy natural
Vamos falar do que faz apaixonar. Esse peito peludo, primeiro, com esses pelos castanhos que descem do alto dos peitorais até o púbis em uma linha contínua, densa, selvagem. As axilas peludas que ele mostra sem complexo, braço levantado atrás da cabeça, numa pose que diz claramente “eu sei que você está olhando”. A trilha abdominal espessa que desaparece sob o elástico da cueca e que esquenta o ambiente bem antes dele tirar qualquer coisa. E quando ele fica nu, sexo em repouso nessa pelagem pubiana farta, é o tipo de imagem que lembra que o corpo masculino natural tem seu próprio poder erótico — nenhuma lâmina necessária.
Também há esse lado gato maduro assumido. O brinco na orelha, a corrente grossa, as rugas de expressão no canto dos olhos, o meio sorriso de canto — Marcelo tem o carisma tranquilo do cara que passou da idade de se preocupar com o olhar dos outros. E na comunidade gay, onde o culto da juventude permanece onipresente, esse tipo de representação conta. Os daddies existem, eles são desejáveis, e merecem seu lugar na luz tanto quanto os twinks e os jocks.
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Fotos: Michel Vilches C.










